sábado, fevereiro 06, 2010


Cabelos, cabelos e meus cabelos

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Primeiramente, eu tenho que bolar um jeito de escrever esse post sem soar contraditório. Então caso vocês encontrem qualquer contradição, lembrem que esse post diz a respeito de um assunto muito delicado: O meu cabelo. Não é que meu cabelo fosse ruim, longe disso, graças à Deus. Mas acontece que ele não é exatamente perfeito. Vou descrevê-lo: Ele era grande, mas especificamente, no meio das costas e ondulado. Quando eu digo ondulado, não é como a maioria diz que é. Por que há quem use o termo ondulado, como um pseudônimo pra pixain. Eis a verdade nua e crua. Por algum motivo que desconheço, essas pessoas pensam que os outrosnão estão vendo a realidade daquele cabelo a frente delas. E voltando a descrição do meu cabelo, ele era cheio. Meu cabelo era bonito, mas iria precisar de cuidados que o liso não requer.

Vou explicar da maneira mais prática. Você já viu japonês com o cabelo desarrumado? Já viu índio com o cabelo desarrumado? Óbvio que não, se você já viu japonês com o cabelo bagunçado vá na fé que algum corte de cabelo muito tosco típico deles que são os diferentes. Mas nunca desarrumados. Isso se deve ao fato de cabelo liso nunca ficar uma zona. Então, depois de um longo período da minha vida sendo dedicado exclusivamente a apurrinhar meus pais e convencê-los que o melhor era fazer a escova, eu consegui. Eu venci essa batalha. Por que foi uma verdadeira batalha para chegar onde estou hoje, de cabelo liso e menos volumoso.

Acontece que pai e mãe sempre acha o filho a coisa mais linda que existe. Uma vez eu estudei numa escola que tinha um menino que era único. Não vou citar nomes, seria indelicado, mas a criatura era dentuça, estrábico, todo magrelo, mas com uma barriga que parecia de Chopp, o cabelo era um sarara estranho. A mãe do indivíduo achava ele lindo, e deve achar até hoje. Vai falar pra ela que o menino precisa de plástica? Ela vai dizer que você precisa de óculos! Então, sabendo que pai e mãe não são donos de opiniões realmente válidas, eu sabia que estava completamente certa. E graças à Deus eu tinha uma pessoa decente, com a cabeça no lugar, ao meu lado. A tia Adriana, esposa do meu pai.

Conseguindo convencê-los, a escova foi logo marcada e fomos pro salão. O negócio havia sido marcado às duas e foi exatamente nessa hora que começamos. Fizeram o teste para ver se meu cabelo aguentaria. Acreditem quando eu digo: Não existe absolutamente nada mais feio que o couro cabeludo visto de perto. Não é virar e olhar a cabeça do irmão como quem cata piolho, é uma câmera que mostra bem de perto e mostra o verdadeiro terror que é. Então, fiz uma hidratação e partimos pra tal escova.

Não estou de brincadeira, só a escova, sem a hidratação levou de cinco a seis horas. Cinco ou seis horas tendo meu cabelo puxado o tempo todo, com força e, hora ou outra com aquela chapinha me queimando. Claro que elas eram profissionais e aquele sofrimento valeu à pena, além de ter sido, sem dúvidas, melhor que a Pauline fechando uma chapinha na minha orelha sem querer. Mas ainda assim, foi doloroso o suficiente para que eu me considere um sobrevivente no final daquele dia. E o pior é que quando você pensa que está acabando e ela está apenas dando os toques finais, ainda faltam mais duas horas. Quando, por um milagre, eu parei de sentir dor, foi quando a escova acabou.

Só que aí começava a operação sair-do-salão-com-a-escova-que-tem-que-ficar-três-dias-sem-molhar, só que de baixo da chuva. A mulher que fez o meu cabelo, a pesar de tê-lo feito muito bem, ela é uma verdadeira pé fria de carteira assinada. Foi ela comentar que só faltava mais uma etapa pra ficar tudo pronto, que caiu a chuva. Ai lá foi a Adriana na rua comprar um daqueles guarda-chuvas família xadrez, ela chegou com o bendito, cinco minutos depois eu já podia ir embora, a chuva havia parado e já eram lá pras sete e alguma coisa.

Só que algo que muitos não entendem realmente é que o Rio de Janeiro é muito quente, é quente demais, é a porta do inferno. E quando dizem "Não molhem o cabelo sob hipótese alguma." isso também inclui o suor. E, como eu já disse, o universo conspira contra mim, então faltou energia na casa do meu pai, o que impossibilitou de usarmos o ar condicionado. O que, tudo bem, por que no meio da noite, lá pra de madrugada, a energia voltou. Passado os três dias de pânico, meu cabelo está maravilhoso, do jeito que eu queria. Valeu a pena todo o sofrimento.

4 comentários:

Lê disse...

Eu também fiz escova, mas foi aquela da Loreal. Qual escova você fez? O meu não demorou muito por que é na altura dos ombros.

Marcella disse...

Hahahaha Dói mesmo, também já fiz, mas acabei querendo meu ondulado de volta. Mas não é ondulado pixain não HAHAHAHA Adorei seu blog e como você escreve, tá nos meus favoritos, sucesso ai :)

Hugo G. disse...

Cê podia escrever um livro, sabia?
Não sei como, mas você faz uma simples ida ao salão se tornar um conto de fadas para pirralhos. DDD:
Tô brincando, cê escreve muito bem ♥
No fim de tudo, valeu a pena, né? Tá com o cabelo perfeito e AGORA SIM é a garota dos meus sonhos. -nnn u_u

Raíssa P. disse...

Conto de fadas pra pirralhos não, um conto de fadas. ):
HAUAHAU OBRIGADA. ♥
Mas você é implicante, hein, menino. Ta dizendo que meu cabelo era ruim antes da escova? ): Perdeu a noção do perigo? Quer morrer? ):

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