sábado, fevereiro 20, 2010


Academia é o cacete!

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Nesse exato momento, estou sentada na cadeira do meu computador escrevendo no meu blog e escutando um clássico, Mamonas Assassinas, e é assim que eu gosto de estar. Mas acontece que um dia da minha vida, um significativo dia, eu vacilei e deixei o conforto do meu quarto para ir, inocentemente, a academia.

Todo final de semana que vou pra casa do meu pai, ele me pede para que eu leve roupa de academia e eu sempre digo que vou levar e digo ter esquecido, como essa desculpa já tinha sido usada demais resolvi levar a roupa e na hora inventava uma desculpa. Fail. Sabe aquelas tiradas de pai e mãe que simplesmente fazem você se sentir mal como se estivesse fazendo algo de errado quando, no final das contas, não está nem se quer fazendo algo? Então, eu tentei inventar uma desculpa e meu pai veio com um "Tudo bem, minha filha, papai queria muito que você fosse, só é uma pena que você só queria ficar no computador." E nessa hora minha consciência ficou absurdamente pesada a ponto de vestir aquelas roupas e ir.

Chegando lá eu me deparo com um cara careca e sério, professor de localizada. Ninguém sabe como eu sofri naquela aula, tipo, sério mesmo, não há palavras nesse mundo que descrevam o sofrimento ao qual eu sobrevivi naquele período de uma hora. E olha que eu fiz com apenas um quilo em cada perna, hein. Sai daquela aula morta de cansaço, já estava vendo a luz querendo me buscar, quando eu pensei que estava tudo acabado e eu enfim poderia ir para a cantina da academia, lugar onde eu pretendia ficar desde o início, mas graças ao meu pai refazendo seu discurso ao chegarmos lá, eu optei por fazer a aula, não pude ficar lá comendo um salgado gordurento e bebendo coca-cola. Deus sabe o que eu passo, eu tenho absoluta certa que meu lugar no céu já está garantido e com benefícios, por que eu, como já comentei antes, sou uma sobrevivente.

Então, antes que eu pudesse respirar calmamente fora da sala de localizada, entra o professor de Jump que daria aula na mesma sala. Vou explicar pra quem lê a situação. O professor de Jump é um negro, baixinho, todo forte que atende por "Sombra", apelido que descobri ser por que às vezes ele deixa o cabelo meio que blackpower, mas que na ocasião estava curto. Ai você imagine uma figura dessas dando aula de Jump, que é, basicamente, você ficar pulando feito um alucinado em uma mini-cama elástica.

Só que havia um pequeno porém, da janela da sala em que estávamos, e onde a minha cama elástica estava, quando eu pulava se olhasse pra esquerda via nitidamente um podrão maravilhoso bem em frente. Só que eu nunca tinha feito jump em toda a minha vida, e eu ainda não estava tendo equilíbrio direito naquela joça, por isso tinha que pular olhando ou pros meus pés, ou pro espelho a minha frente. Resolvi intercalar, pulava um pouco olhando pro podrão, depois pulava olhando espelho e assim até a aula acabar. Eu fiz meu pai me prometer que saindo de lá iríamos comer no podrão, eu não queria mais saber da cantina, meu negócio agora era um cachorro quente com tudo que tivesse direito. Quando aquela aula acabou eu respirei aliviada em saber que dali eu iria comer meu precioso cachorro quente. Fail.

Entra de novo na sala o professor da primeira aula, pronto, entrei em choque. Eu não iria fazer localizada de novo, sério mesmo, não importava o que meu pai dissesse, eu não faria localizada de novo naquele dia nem se meu precioso podrão corresse o risco de sair do meu destino. O professor em si, pelo menos comigo, foi super legal, mas aula dele não foi bem assim. Descobri mais tarde que ele não é a simpatia que foi comigo, foi simpático comigo por que eu sou filha do meu pai, que já frequenta a academia, ai você imagina: A aula é um terror, o cara é um terror. É difícil de encarar. Mas não, essa aula seria de alongamento, para relaxar. Eu, inocente, sem nunca ter se quer entrado numa academia nem praticado nenhum esporte por mais de uma semana, fui lá, feliz e contente por ter a abolsuta certeza que, por uma ordem divina, aquela seria a última aula.

Fail. Foi a última aula e a pior de todas. Ele vira pra você e pede pra você se apoiar nos colovelos e nos joelhos, ai pede pra levantar uma perna, depois um braço, depois pede para, com a perna levantada, deitar no ombro, depois pede pra deitar normalmente e dobrar uma perna e levantar a outra, erguendo o tronco e com a cabeça numa posição específica, e pior, ele espera, ele realmente espera, que você dê um nó no seu corpo com as costas retas. Deus sabe o que eu passei nesse dia, eu já estava no sofrimento a duas horas e mais meia hora da aula de alongamento, eu simplesmente não ia resistir àquela batalha, então optei por ficar no meu canto, bem na direção do ventilador olhando o sofrimento alheio.

No final das contas eu já estava morta de cansaço e não tive meu podrão, a Adriana fez cachorro quente em casa para a gente, quase igual, mas ninguém nunca conseguirá imitar um podrão de maneira digna como deve ser! Podrão é algo a ser respeitado! Chegando em casa - para vocês verem como eu quase morri lá - eu tomei banho, comi e nem liguei o computador, poucos minutos depois peguei no sono, antes das onze e nas férias, hein.

terça-feira, fevereiro 09, 2010


É tenso viver nesse meio

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Esse será um post, basicamente, criticando tudo o que eu, por motivos quais quer, resolvi implicar em um dia que eu não tinha nada pra fazer.

Por algum motivo que desconheço, todos os seres humanos que habitam o Brasil, mas não moram no Rio de Janeiro, acreditam fielmente que a solução pra esse calor absurdamente infernal se resume a ir a praia. Se essa fosse a solução, algo tão simples assim, as pessoas não iriam me ouvir tanto reclamando. Eu moro no Rio de Janeiro desde que nasci, motivo pelo qual minha marca do biquíni é quase uma sinal de nascença. Mas morar no Rio de Janeiro não quer dizer que eu vou estar cozinhando de baixo do sol todos os dias da semana. Deixa eu explicar direitinho o por que, ai você vai entender.

Primeiramente, eu estudo de manha. O que significa que estou na escola de sete e dez à meio dia e meia, mas tem dois dias que saio mais cedo, um é dez e cinquenta, o outro é onze e quarenta. Então, fico conversando um pouco na porta de escola e dali vou pra casa, que é quase do lado da escola, mas em outra rua, de baixo daquele sol de lascar vestindo um uniforme quente pra cacete e carregando uma mochila pesada que faz com que eu me sinta o Arnold Schwarzenegger usando uma saia. Em casa eu almoço e olho pra minha cama com muita simpatia, deito e durmo até às cinco.

Ai eu te pergunto, você acha MESMO que eu iria me arrastar pro ponto de ônibus, com vários amigos que – eu amo vocês, juro! – parecem ter saído do zoológico ou de uma sessão de exorcismo, esperar de baixo daquele sol, com aquele povão todo pra pegar um ônibius naquele calor? Por que ainda tem todo o processo do ônibus.

Acontece que eu adoro estar em um ônibus com os meus amigos. Não importa para onde estamos indo, é simplesmente maravilhoso ver a professora ou mostrando sua verdadeira face e dançando funk até o chão e contando sobre os namoradinhos de “infância” dela, ou enlouquecendo por não conseguir conter a turma enquanto mais de trinta seres desembestados gritam, se estapeiam, se xingam, se declaram, se agarram, ignoram uns aos outros, cantam musiquinhas toscas, enfim, ai é legal. Mas pegar um busão, cheio de gente, no calor, sem ar-condicionado, no trânsito de meio dia, pra ir em pé, com uma pilha de gente subindo o Alto da Boa Vista, rumo a Barra e o Ônibus indo devagar com um bando de gente suada esbarrando em você com os braços segurando na barrinha e aqueles suvacos cabelos e xexelentos apontados bem pra sua cara... Bom, isso NÃO É LEGAL.

Só que o interessante de sair com os amigos é que NINGUÉM, simplesmente NUNCA tem mais do que sete reais. Repara só, ninguém nunca tem, isso quando só não tem o pra passagem. Ai eu te pergunto: O que leva um indivíduo a ir pra praia com apenas sete reais? Titica na cabeça, naturalmente. Só que ainda há um outro porém... Existem várias pessoas passando fome na rua, sem ter onde morar, nem onde cair morto. Ai me vem um bando de adolescente da classe média, saindo pedindo dinheiro por aí pra comprar bebida. Oh céus. Não nego que seja engraçado, realmente é e eu me divirto, mas é RUIM HEIN que eu quero que me meter nisso. Sem sacanagem, eu finjo que não conheço, apenas isso. Noutro dia uns amigos meus estavam fazendo um escarcéu na encruzilhada da Carlos Vasconcelos, só que tipo, chegando na encruzilhada uns descem a Carlos Vasconcelos e outros vão rumo a outra rua, do lado oposto. Nesse dia só eu e uma amiga íamos praquele lado, uma senhora passou pela gente e falou "Esses adolescentes... Só tem vândalo, sem futuro, não dão valor a nada, ficam bebendo e usando coisas que não devem...". Enfim, meteu o pau nos adolescentes, e ela do nosso lado, olhando pra eles e a gente com o mesmo uniforme que eles. Onde eu meto a cara? Mas, enfim... É a vida.

Ai tem que pegar o ônibus de volta pra casa no final do dia, todo mundo suado, um nojo, pior que na ida, todo mundo cansado e também no horário de trânsito. Tipo, por que diaxo eu iria passar por tuuuuudo isso sabendo que eu poderia ter ficado em casa, no fresquinho, deitada na cama dormindo e ir de carro no final de semana? Deu pra entender o por que de que morar no Rio de Janeiro não é sinônimo de estar na praia 24 horas por dia?

sábado, fevereiro 06, 2010


Cabelos, cabelos e meus cabelos

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Primeiramente, eu tenho que bolar um jeito de escrever esse post sem soar contraditório. Então caso vocês encontrem qualquer contradição, lembrem que esse post diz a respeito de um assunto muito delicado: O meu cabelo. Não é que meu cabelo fosse ruim, longe disso, graças à Deus. Mas acontece que ele não é exatamente perfeito. Vou descrevê-lo: Ele era grande, mas especificamente, no meio das costas e ondulado. Quando eu digo ondulado, não é como a maioria diz que é. Por que há quem use o termo ondulado, como um pseudônimo pra pixain. Eis a verdade nua e crua. Por algum motivo que desconheço, essas pessoas pensam que os outrosnão estão vendo a realidade daquele cabelo a frente delas. E voltando a descrição do meu cabelo, ele era cheio. Meu cabelo era bonito, mas iria precisar de cuidados que o liso não requer.

Vou explicar da maneira mais prática. Você já viu japonês com o cabelo desarrumado? Já viu índio com o cabelo desarrumado? Óbvio que não, se você já viu japonês com o cabelo bagunçado vá na fé que algum corte de cabelo muito tosco típico deles que são os diferentes. Mas nunca desarrumados. Isso se deve ao fato de cabelo liso nunca ficar uma zona. Então, depois de um longo período da minha vida sendo dedicado exclusivamente a apurrinhar meus pais e convencê-los que o melhor era fazer a escova, eu consegui. Eu venci essa batalha. Por que foi uma verdadeira batalha para chegar onde estou hoje, de cabelo liso e menos volumoso.

Acontece que pai e mãe sempre acha o filho a coisa mais linda que existe. Uma vez eu estudei numa escola que tinha um menino que era único. Não vou citar nomes, seria indelicado, mas a criatura era dentuça, estrábico, todo magrelo, mas com uma barriga que parecia de Chopp, o cabelo era um sarara estranho. A mãe do indivíduo achava ele lindo, e deve achar até hoje. Vai falar pra ela que o menino precisa de plástica? Ela vai dizer que você precisa de óculos! Então, sabendo que pai e mãe não são donos de opiniões realmente válidas, eu sabia que estava completamente certa. E graças à Deus eu tinha uma pessoa decente, com a cabeça no lugar, ao meu lado. A tia Adriana, esposa do meu pai.

Conseguindo convencê-los, a escova foi logo marcada e fomos pro salão. O negócio havia sido marcado às duas e foi exatamente nessa hora que começamos. Fizeram o teste para ver se meu cabelo aguentaria. Acreditem quando eu digo: Não existe absolutamente nada mais feio que o couro cabeludo visto de perto. Não é virar e olhar a cabeça do irmão como quem cata piolho, é uma câmera que mostra bem de perto e mostra o verdadeiro terror que é. Então, fiz uma hidratação e partimos pra tal escova.

Não estou de brincadeira, só a escova, sem a hidratação levou de cinco a seis horas. Cinco ou seis horas tendo meu cabelo puxado o tempo todo, com força e, hora ou outra com aquela chapinha me queimando. Claro que elas eram profissionais e aquele sofrimento valeu à pena, além de ter sido, sem dúvidas, melhor que a Pauline fechando uma chapinha na minha orelha sem querer. Mas ainda assim, foi doloroso o suficiente para que eu me considere um sobrevivente no final daquele dia. E o pior é que quando você pensa que está acabando e ela está apenas dando os toques finais, ainda faltam mais duas horas. Quando, por um milagre, eu parei de sentir dor, foi quando a escova acabou.

Só que aí começava a operação sair-do-salão-com-a-escova-que-tem-que-ficar-três-dias-sem-molhar, só que de baixo da chuva. A mulher que fez o meu cabelo, a pesar de tê-lo feito muito bem, ela é uma verdadeira pé fria de carteira assinada. Foi ela comentar que só faltava mais uma etapa pra ficar tudo pronto, que caiu a chuva. Ai lá foi a Adriana na rua comprar um daqueles guarda-chuvas família xadrez, ela chegou com o bendito, cinco minutos depois eu já podia ir embora, a chuva havia parado e já eram lá pras sete e alguma coisa.

Só que algo que muitos não entendem realmente é que o Rio de Janeiro é muito quente, é quente demais, é a porta do inferno. E quando dizem "Não molhem o cabelo sob hipótese alguma." isso também inclui o suor. E, como eu já disse, o universo conspira contra mim, então faltou energia na casa do meu pai, o que impossibilitou de usarmos o ar condicionado. O que, tudo bem, por que no meio da noite, lá pra de madrugada, a energia voltou. Passado os três dias de pânico, meu cabelo está maravilhoso, do jeito que eu queria. Valeu a pena todo o sofrimento.