quinta-feira, setembro 10, 2009


Shopping, selva urbana.

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Eu não gosto muito de shopping por alguns motivos bem óbvios: Você vai ficar andando de um lado para o outro, falando da vida dos outros, até seus pés doerem e você já estar cansada de ficar olhando coisas maravilhosas que sabe que não vai comprar. Fora que para mim não existe essa de "Ir ao shopping ver a moda" por que, como já disse, é tortura. Até por que, é de lei, eu tenho que ir na praça de alimentação, entende? Eu tenho. Mas aparentemente meus pais pensam ao contrário. Até ai, tudo bem, você está andando com seus amigos e depois você vai a praça de alimentação, mas já está cansada de ficar rodando o shopping que nem um sei lá o que, por que seus pés doem. Você propõe que a próxima parada seja a praça de alimentação, mas sempre - Quando eu digo sempre, é sempre. - tem um infeliz que diz "Vamos andar mais um pouco, estou sem fome". Simples, nos assista comer, certo? Não, por que quem disse isso provavelmente tem uma voz irritante e sabemos que ninguém quer discutir com uma voz fina e aguda, que atinge notas que só os cachorros escutam.
Mas, apesar dessa saída ter de tudo para dar realmente errado, não foi uma estupidez completa. Como vocês já viram no tópico anterior, eu tenho amigas que "zelam" pelo meu bem me arrastando para as mais bizarras situações e ignorando todos os meus protestos. Chamei uma amiga minha que não via a muito tempo, Bruna. Vamos lá, vamos definir a Bruna. Uma menina um pouco baixa, não chega a ser baixinha, com sérios problemas para não arrumar confusão. Sério, quer dizer, eu adoro ela, mas não vou mentir, ela é um imã para confusão, é pior que eu. E olha que era conhecida na emergência daqui ein. Marcamos o Shopping às cinco, às duas e meia eu estava na casa dela, por que não a via a muito tempo e queria matar saudades da mãe dela. Cheguei lá, falei com todos e fui para o quarto da pessoa. Eu sou mais alta que ela, mas ela é bem mais forte que eu. O que fez do abraço saudoso dela virar um nocaute, sem exageros. Conseguindo me recuperar daquele atentado, sentei na cama e começamos a falar sobre tudo, as novidades que nós duas tínhamos, ai a conversa começa daquele jeito clássico... "Tem novidades?" "Não, e você?" "Nada também... Ahhh, nem te conto!" então foi dada a largada para aquela conversa que dura horas. Quem estava na escola de quem, quem fez o que onde, quem ficou com quem, enfim. Falamos da vida da metade da população tijucana. Deu três e meia, já sabendo de toda a operação que viria pra frente naquela coisa simples que seria se vestir, falei pra ela começar a se vestir. Dito e feito, observe como eu simplesmente sei das coisas.
Ela já tinha toda a roupa em mente, e a escolha da roupa é a parte que mais demora, só faltava se vestir. Coisa simples, não é? Lógico que não. Por que o top que ela usaria por baixo tinha que ser branco, mas o fecho estava quebrado. Eis o brilhante plano: Pegar cola superbonder e colar. É simples e eficaz, seria se fosse outra pessoa no lugar da Bruna fazendo isso. A cola estourou e sujou toda a mão dela, a perna, e a pia de mármore preto do banheiro - que tinha acabado de ser reformado - e foi também para minha mão. Fail. Ficamos uns minutos com a mão em baixo da água fervendo para amolecer a cola. A cola não amoleceu e queimamos a mão, maravilha. Mas pelo menos desgrudamos os dedos, por que era realmente muita cola e tinha a pia de mármore novinha. Vou explicar-lhes uma coisa: A dona mãe da Bruna é como uma tia de verdade para mim, que esteve presente em toda a minha infância e grande amiga da minha mãe, e se tem uma coisa que tanto eu quanto a Bruna sabemos é que, se nós duas fizemos a besteira, nós duas pagamos. Já que, tanto a minha mãe deu liberdade a mãe dela para brigar comigo, ela deu liberdade para minha mãe brigar com a Bruna. É, nós não éramos fáceis quando pequenas, mas isso é passado. Fiz a Bruna vestir outra coisa, por que eu sei que se eu não fizesse isso ela iria bolar outro plano para ajeitar o maldito top que iria por minha vida em risco. É tosco demais ir pra emergência tentando concertar um top, e olha que eu já visitei a emergência pelos motivos mais ridículos que você possa imaginar.
Já vestida, fomos pro shopping com a seguinte coisa: Nove horas tínhamos que estar em casa, Bruna tinha um remédio para tomar e eu teste no dia seguinte. Chegamos no shopping em segundo lugar, uma amiga minha, Paula, já estava lá. E eu nem sabia que ela ia. Fomos ao banheiro e voltamos, quando eu e Bruna voltamos reencontramos Paula e Júllyan - Não o Casablancas, essa é Júllyan Santos. Com dois "l" e y. - Agora vamos definir a Jú.
Ela é da minha altura, tem uma franja emo, apesar de dizer que não é. Espalhafatosa que só, mais afetada que ela não existe, mas é uma das melhores amigas que há nesse mundo. Fomos para a porta do Shopping onde encontramos a Carol. A Carol é uma baixinha morena, que pintou os cabelos de vermelho no estilo Britney Spears em Womanizer - mas ela não usa chanel, amém. - quando eu digo que a Carol é baixinha, quis dizer que se ela crescer um pouco, ela fica baixinha. Você realmente se sente alta do lado dela. Iríamos ser só nós cinco.
Não, não íamos ser só nós cinco, por que uma alma penada teve a brilhante idéia de ir chamar duas outras pessoas que eu não faço idéia de quem são, mas, vamos lá né. De cinco, três queriam. A rua era do lado do Shopping, mas ninguém sabia onde os ditos cujos moravam, então, essas pessoas discretas, dotadas de uma sutileza indescritível, começaram a gritar o nome das pessoinhas no meio da rua. Eu ainda preciso dizer que não deu certo? Por que não deu.
Voltamos ao Shopping onde enfrentávamos o seguinte dilema: Eu, Jú e Carol já havíamos visto "Se Beber, Não Se Case". A Carol já havia visto "Os Normais 2" e Bruna e Paula não haviam visto nada. Quiseram ver "A Órfã", ai eu tive que explicar para elas que não, eu não era tão corajosa assim e não via filme de terror. É, sou medrosa pra caramba. Enquanto elas ficavam "Mas nem a órfã?" Ou "Mas você não sabia que era filme de terror?" enquanto a Bruna, uma das minhas melhores amigas, ria descaradamente da minha situação, por que ela já sabe que eu sou assim. O mais próximo de terror que vi foi Van Helsing, filme que meus amigos afirmam não poder ser considerado terror. Não senti medo nesse filme, mas isso não quer dizer que tenha sido um estímulo a ver outros. Acabamos vendo "O Sequestro do Metrô 123". E é claro que não para por aí.
Todos nós sabemos o quão tímida a Júllyan é. Na fila quilométrica do cinema a menina ficou com um amigo nosso que encontramos no shopping, e depois de novo no meio de cinema, e depois de novo na escada. Pois é, mas não vou entrar em mais detalhes, amanha tem aula e ela lê esse blog.
Acontece que, assim que colocamos os pés na rua, a mãe da Bruna ligou acabando com todos os nossos planos para os próximos finais de semana. Sim, ela havia descoberto da pia do banheiro. E, logo depois, foi a vez da minha mãe me ligar cuspindo bala. Ela me ligou quatro vezes e só atendi duas, sendo que essas quatro ligações, recebi enquanto estava no cinema. Além de ser nove e meia e eu ainda estar no cinema, tendo teste no dia seguinte, eu não fazia idéia de como voltaria para casa e ir à pé quase às dez da noite estava fora de cogitação.
Eu amo demais a minha mãe e o meu pai, são as pessoas mais importantes na minha vida, mas qualquer ser em sã consciência tem medo da mãe irritada, por que, venhamos e convenhamos, ela tem o poder, a autoridade. E, no final, você pode muito bem ficar como eu já fiquei. Presa em casa, Bruna presa na casa delas e nossas mães ou aqui em casa, ou na casa dela, fazendo um pequeno churrasco e conversando.
Não fui mal no teste, e, só Deus sabe como, não estou de castigo. Mas, rapaz, o que eu escutei quando cheguei em casa não é possível descrever. Eu, uma pessoa com amor a vida, concordei com absolutamente tudo o que minha mãe dizia, apesar de ser totalmente contra noventa por cento do que ela disse. Como eu já disse antes, eu sou uma sobrevivente.

1 comentários:

Luísa disse...

acho que nos fazemos parte de um seleto grupo de pessoas que não curte shopping ! aheuiaheia

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