Inicialmente eu ia fazer um post sobre a Bienal, mas, sendo honesta, só indo na Bienal para saber, não é algo que dê para entrar em detalhes. Já a feira da cultura e as reuniões que fazíamos para terminar o trabalho, sim.
A feira de ciências na minha escola funciona assim, há um tema para cada turma, meu tema foi o lugar da mulher no mundo e a igualdade entre os sexos. Mas em cada turma haveriam três grupos divididos por matérias. A escola fez assim, eles escolhiam três professores que nos dessem aula, no meu caso, ciências, história e português, nisso, cada aluno da minha sala teria de escolher em qual desses grupos ficaria. Como tem 31 alunos na minha sala, cada grupo ficaria com 10 alunos e o outro com 11.
Escolhi ficar no grupo de ciências, a única matéria em que vou mal. Por que pelo menos ela iria ver que eu não estou desinteressada pela matéria dela, apenas simplesmente não entendo nada do que ela diz, e também ficaria com duas amigas minhas, Stephanie e Alexia. Pois é, você já deve ter percebido que minhas amigas só tem nomes estranhos, só não critico por que meu nome também não permite.
No meu grupo estavamos eu, Stephanie, Alexia, Igor, Ayrton, Cayo, Bernardo, Dodoca, Habib, Marcelo e Laís. Marcamos a reunião para fazer o trabalho na casa da Alexia, sendo que a professora Marlene é exigente demais. Por algum motivo ela realmente acredita que nós devemos entregar um trabalho a nível de faculdade. Mas, vamos a o que interessa. Marcamos o trabalho para segunda-feira, duas e meia, na casa da Alexia.
Duas e meia e lá estou eu. "Eu moro na rua da escola, em frente a escola". Mora em frente e a escola uma vírgula. Ela mora na rua que acaba na rua da escola, bem no inícinho, mas ainda assim, não era a rua da escola. Por sorte, a Tephi já havia me avisado e não levei tanto tempo para lembrar. Agora havia um outro problema, eu não sabia o apartamento dela.
Ok, ia do 101 ao 405, mas uma fileira de botões em cima da fileira do quarto andar. Minha bisa mora em um prédio tipo o da Alexia, antigo, poucos andares e uma escadaria infernal, mas tem botões em branco que tocam a campanhia de alguma casa aí da vida, então eu pensei que também seria assim, já que tinham deixado bem claro "Ela mora no último andar". Apertei uns dois botões brancos e ninguém respondeu, passei pra fileira de baixo, os apartamentos do quarto andar, primeiro, toco em um apartamento em que uma velhinha muito simpática atende, ai pergunto a ela onde a Alexia mora e ela me responde e já vou eu, subir toda aquela porcaria de escada.
Esse dia seria apenas o de planejamento, organizar as coisas. De onze, apenas sete foram. Mas foi O Caos. Só Deus sabe como a tia Priscila - Mãe da Alexia - não jogou um da janela. Vou explicar da maneira mais detalhada possível o por que de tanto caos.
O Cayo é um garoto alto, que não deve ter nada na cabeça e, quando não está abrindo a boca pra falar besteira, está autistando. Lá foi ele para a janela, feliz da vida, autistar. Acontece que, volta e meia, passa alguém por aquela ruazinha e em frente a casa da Alexia tem uma casa rosa que toda hora saia uma mulher com roupa de ginástica dali, e o idiota ficou lá na janela com cara de paisagem. O Ayrton, um moreno magricela, baixinho, com cabelo cacheado, muito comédia, ao ouvir o Cayo falar "Vou ficar aqui na janela" foi até onde a criatura estava, colocou a cabeça para fora da janela e, em alto e bom tom, grita "Eu sou GAY" e some, deixando o Cayo com cara de bunda, para quem passasse, escutasse e olhasse, entendesse o óbvio.
Logo depois de termos pensado em como seria o trabalho, ficamos conversando no quarto da Alexia, mas ia começar Tropa de Elite. Ai tinha o seguinte problema, nós, meninas, queríamos ver, enquanto eles insistiam que nós tirássemos o som da televisão para que eles dublassem o filme. Consegue entender? Nem eu. Bom, o quarto é da Alexia, mas nós tivemos que sair de lá. Fomos para o quarto da tia Priscila, conversa vem, conversa vai, e sei lá como, começam a fazer escova no meu cabelo. Até que a Alexia faz uma descoberta que ninguém nunca imaginou que fosse verdade: Eu tenho muito cabelo. Momento "Oh!" Pois é. Ela não havia entendido que meu cabelo não era apenas cheio. Começou a fazer a escova, onde, sem sombra de dúvidas, metade do meu cabelo ficou no chão de tanto que ela puxou. Ai a tia Priscila faz um comentário realmente animador "Alexia, minha filha, você tá tirando o cabelo toda da menina, olha ele aí pelo chão!" Tudo o que eu precisava ouvir. Não satisfeita com isso, minha grande amiga Alexia, que realmente sabe escolher o momento oportuno para falar as coisas, solta essa lindeza "Mãe, acho que o secador-de-cabelo vai pegar fogo, ele tá meio estranho, tem um negocinho meio vermelho acendendo ali dentro quando eu ligo" Vamos deixar claro, ela liga e aponta pra minha cabeça. Não pra dela, pra minha. Tenso.
Conseguimos terminar o trabalho, difícil de acreditar, mas conseguimos, ao som da tia Priscila gritando "Ayrton, pára de grita 'Mona'!" ou simplesmente "Ayrton, sai de perto da janela pelo o amor de Deus!". Não, e eis o pior de tudo, ele, muito cara de paumente, chega no dia de fazer o trabalho e aparece na janela, ai o pessoal que está na rua pára e olha. Ele, o infeliz que fica gritando na janela, o próprio, saí da janela e vira para todo mundo "Nossa, aqui você já aparece na janela e todo mundo olha. Já até sabem que só tem favelado que fica gritando..." Tipo, dá para acreditar numa criatura dessas? Não dá.
Conseguimos terminar o trabalho, difícil de acreditar, mas conseguimos, ao som da tia Priscila gritando "Ayrton, pára de grita 'Mona'!" ou simplesmente "Ayrton, sai de perto da janela pelo o amor de Deus!". Não, e eis o pior de tudo, ele, muito cara de paumente, chega no dia de fazer o trabalho e aparece na janela, ai o pessoal que está na rua pára e olha. Ele, o infeliz que fica gritando na janela, o próprio, saí da janela e vira para todo mundo "Nossa, aqui você já aparece na janela e todo mundo olha. Já até sabem que só tem favelado que fica gritando..." Tipo, dá para acreditar numa criatura dessas? Não dá.

1 comentários:
adorava minha época de feira de cultura.
Dica, a foto ao lado está cortando o post, quase não dava pra ler.
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