Existem vários tipos de sofredores e, um deles é o amigo. Sério mesmo, se você é polícial, sua vida corre risco todos os dias, mas no final do mês você recebe algo em troca, certo? Se você é bombeiro, corre o mesmo risco que o polícial, mas igualmente a ele, no final do mês recebe algo significativo em troca, certo? O amigo corre um risco mil vezes pior e não recebe absolutamente nada em troca. Ele não só corre o risco físico como, na maioria das vezes, presencia algo que, apesar de ser natural para os outros, para ele definitivamente não é. Ai o pobre fica complexado e só Deus sabe como ele não desenvolve um tique-nervoso que vai impedí-lo de socializar para o resto da vida.
Seus amigos te arrastam para lugares que você não quer ir, você sofre lá dentro e imagina que nunca mais irá ver a luz, até que finalmente acaba e, ou seu trabalho árduo para não cometer um homicídio brabo é nulo, ou quando seu sofrimento está óbvio em seu rosto, seu amigo vira e fala "Você se divertiu, né? Está assim por que foi a primeira vez que veio aqui/fez isso. Sabia que ia gostar." Vou contar minha experiência quase morte para vocês.
Sou uma pessoa que, como já devem ter lido nos posts anteriores, gosta de músicas diferentes do resto das pessoas, da minha idade pelo menos. Mas isso nunca me impediu de socializar, basta falar o português e não ser um completo idiota que nos daremos bem, provavelmente.
Porém, minhas amigas gostam desse tipo de música - funk, hip-hop, pop, eletronica, pagode e tal - e frequentam lugares que ficam meia hora tocando hip-hop/eletrônica, o resto da noite é funk e "Vou fazer o seu boneco desaparecer" não é exatamente a coisa mais poética que já escutei na vida. Claro, se está ali, é para dançar, mas... Que musiquinha ein. E elas viviam me chamando para ir a esses lugares com elas, naturalmente, minha resposta era sempre "não", já estava até no automático... "Vai sábado com a gente na..." "Nops!". Até que, certo dia, falei que ia. Mas não falei sério, não pensei que fossem levar a sério, quer dizer, eu no lugar delas entenderia como algo do tipo que você fala para as mães "Certo, claro, ok." Mas não, elas tinham que levar à sério.
Eis que estou eu, uma menina quieta, prestando atenção na aula quando, de repente - Juro que foi derrepente - sou atingida por um objeto não identificado que me fez dar um pulo na cadeira assustada. Até que meus olhos buscam pela sala de aula, o autor do atentado e me deparo com uma de minhas melhores amigas com um daqueles sorrisos tão grandes que só o Coringa do Batman tem, assustador, acredite. Pronto, era ela. Apesar que ela sorri sempre que olham para ela, ai fiquei na dúvida, mas quando ela sussurrou "RESPONDE LOGO, DROGA" minhas desconfianças acabaram. Ai você pára e pensa, a sua amiga te tirou toda a concentração, te agrediu com uma bola de papel na cabeça que fez você se assustar e correr o risco de ser pega sem flagrante, então deveria ser um assunto cuja a importância fosse de estado, certo? Certo? Não. Eis o que estava escrito no bilhete "Vai com que roupa sábado?". É lógico que eu ia perguntar o que tinha sábado, eu não sabia o que tinha sábado, não na minha agenda. Sábado é dia de ficar em casa assistindo a superestréia do telecine que você já viu no cinema e no piratão. Ou indo ao Shopping com alguma amiga que, por um acaso, apesar de gostar das mesmas músicas, não gosta desses lugares.
Essa minha amiga pseudo-terrorista, dotada de uma delicadeza indescritível, grita um "PRA BALADA, MONGOL." Eu sei que ela estava gritando, por que ela ocupou metade da folha só com três palavras, só três palavras. A maioria das pessoas que eu conheço tem, curiosamente, um preconceito inexplicável contra a pontuação. Ai eu tive que explicar para essa minha amável amiga o que "sarcasmo" significava. E acredite quando digo, sarcasmo é algo muito presente na minha vida. E é claro que ela ignorou e mandou um "É claro que você vai." e realmente não havia escapatória.
Uma amiga ia dormir lá em casa de sexta para sábado e eu iria dormir na casa dela de sábado para domingo, sendo que essa amiga também iria para lá. Me conformei com a idéia. Passei a pensar da seguinte forma: Vou, se for legal, pronto. É legal. Se não for, já fui, já fiz uma experiência e já vimos que eu estava certa. Mas claro que na minha vida, nada é tão simples quanto eu gostaria.
Chega sábado, saímos da minha casa para nos arrumarmos na casa da amiga e de lá fomos no carro do pai dela, fomos nós duas e mais três conosco no carro, claro que um foi no colo e não fui eu, já que não sou baixinha. Chegando lá me deparo com uma fila enorme que, muito cara de paumente, furamos e acabei por descobri que, apesar de que meu intuito tenha sido furar a fila, de certa forma não furei, por que um dos promoters estuda na sala em frente a nossa e nos colocou na lista, eu te pergunto, para que? Para que? Não fez diferença no preço. Coisa tosca essa de lista, não?
Pagamos e entramos. Falamos com um pessoal que estava lá e que meus amigos conheciam, mas eu não, e ficamos por ali. Até que começou a tocar funk e, num piscar de olhos, estava tudo cheio. Não estava prestando atenção em nada, já que isso é algo inútil, com a música alta. Percebi, então, que de repente milhões de pessoas pisavam no meu pé sem motivo algum. Ai sim, me dei conta que estava lotado. Resolvi deixar isso de lado, era o melhor a fazer, certo? Paguei para entrar em um lugar cheio de gente que mal dava para se mexer, com músicas do tipo "Vou fazer seu boneco desaparecer" e pisarem no meu pé na maior cara de pau, eu tinha que, de alguma forma, me divertir, certo? Se não tudo seria jogado fora. Apesar de tudo isso, consegui me diverti. Estava com as minhas amigas e me diverti sem problemas. Claro que eu não irei lá todo o sábado, mas me diverti. Mas agora elas me devem uma saída no meu estilo, naturalmente.
Seus amigos te arrastam para lugares que você não quer ir, você sofre lá dentro e imagina que nunca mais irá ver a luz, até que finalmente acaba e, ou seu trabalho árduo para não cometer um homicídio brabo é nulo, ou quando seu sofrimento está óbvio em seu rosto, seu amigo vira e fala "Você se divertiu, né? Está assim por que foi a primeira vez que veio aqui/fez isso. Sabia que ia gostar." Vou contar minha experiência quase morte para vocês.
Sou uma pessoa que, como já devem ter lido nos posts anteriores, gosta de músicas diferentes do resto das pessoas, da minha idade pelo menos. Mas isso nunca me impediu de socializar, basta falar o português e não ser um completo idiota que nos daremos bem, provavelmente.
Porém, minhas amigas gostam desse tipo de música - funk, hip-hop, pop, eletronica, pagode e tal - e frequentam lugares que ficam meia hora tocando hip-hop/eletrônica, o resto da noite é funk e "Vou fazer o seu boneco desaparecer" não é exatamente a coisa mais poética que já escutei na vida. Claro, se está ali, é para dançar, mas... Que musiquinha ein. E elas viviam me chamando para ir a esses lugares com elas, naturalmente, minha resposta era sempre "não", já estava até no automático... "Vai sábado com a gente na..." "Nops!". Até que, certo dia, falei que ia. Mas não falei sério, não pensei que fossem levar a sério, quer dizer, eu no lugar delas entenderia como algo do tipo que você fala para as mães "Certo, claro, ok." Mas não, elas tinham que levar à sério.
Eis que estou eu, uma menina quieta, prestando atenção na aula quando, de repente - Juro que foi derrepente - sou atingida por um objeto não identificado que me fez dar um pulo na cadeira assustada. Até que meus olhos buscam pela sala de aula, o autor do atentado e me deparo com uma de minhas melhores amigas com um daqueles sorrisos tão grandes que só o Coringa do Batman tem, assustador, acredite. Pronto, era ela. Apesar que ela sorri sempre que olham para ela, ai fiquei na dúvida, mas quando ela sussurrou "RESPONDE LOGO, DROGA" minhas desconfianças acabaram. Ai você pára e pensa, a sua amiga te tirou toda a concentração, te agrediu com uma bola de papel na cabeça que fez você se assustar e correr o risco de ser pega sem flagrante, então deveria ser um assunto cuja a importância fosse de estado, certo? Certo? Não. Eis o que estava escrito no bilhete "Vai com que roupa sábado?". É lógico que eu ia perguntar o que tinha sábado, eu não sabia o que tinha sábado, não na minha agenda. Sábado é dia de ficar em casa assistindo a superestréia do telecine que você já viu no cinema e no piratão. Ou indo ao Shopping com alguma amiga que, por um acaso, apesar de gostar das mesmas músicas, não gosta desses lugares.
Essa minha amiga pseudo-terrorista, dotada de uma delicadeza indescritível, grita um "PRA BALADA, MONGOL." Eu sei que ela estava gritando, por que ela ocupou metade da folha só com três palavras, só três palavras. A maioria das pessoas que eu conheço tem, curiosamente, um preconceito inexplicável contra a pontuação. Ai eu tive que explicar para essa minha amável amiga o que "sarcasmo" significava. E acredite quando digo, sarcasmo é algo muito presente na minha vida. E é claro que ela ignorou e mandou um "É claro que você vai." e realmente não havia escapatória.
Uma amiga ia dormir lá em casa de sexta para sábado e eu iria dormir na casa dela de sábado para domingo, sendo que essa amiga também iria para lá. Me conformei com a idéia. Passei a pensar da seguinte forma: Vou, se for legal, pronto. É legal. Se não for, já fui, já fiz uma experiência e já vimos que eu estava certa. Mas claro que na minha vida, nada é tão simples quanto eu gostaria.
Chega sábado, saímos da minha casa para nos arrumarmos na casa da amiga e de lá fomos no carro do pai dela, fomos nós duas e mais três conosco no carro, claro que um foi no colo e não fui eu, já que não sou baixinha. Chegando lá me deparo com uma fila enorme que, muito cara de paumente, furamos e acabei por descobri que, apesar de que meu intuito tenha sido furar a fila, de certa forma não furei, por que um dos promoters estuda na sala em frente a nossa e nos colocou na lista, eu te pergunto, para que? Para que? Não fez diferença no preço. Coisa tosca essa de lista, não?
Pagamos e entramos. Falamos com um pessoal que estava lá e que meus amigos conheciam, mas eu não, e ficamos por ali. Até que começou a tocar funk e, num piscar de olhos, estava tudo cheio. Não estava prestando atenção em nada, já que isso é algo inútil, com a música alta. Percebi, então, que de repente milhões de pessoas pisavam no meu pé sem motivo algum. Ai sim, me dei conta que estava lotado. Resolvi deixar isso de lado, era o melhor a fazer, certo? Paguei para entrar em um lugar cheio de gente que mal dava para se mexer, com músicas do tipo "Vou fazer seu boneco desaparecer" e pisarem no meu pé na maior cara de pau, eu tinha que, de alguma forma, me divertir, certo? Se não tudo seria jogado fora. Apesar de tudo isso, consegui me diverti. Estava com as minhas amigas e me diverti sem problemas. Claro que eu não irei lá todo o sábado, mas me diverti. Mas agora elas me devem uma saída no meu estilo, naturalmente.

3 comentários:
Haha Adorei, é verdad isso. Mas cm o tempo acostuma.
Legal o post. Deve ser por isso que busca-se, cada vez mais, amigos com gostos parecidos com os nossos. Mas em terra de individualismo extremo, as pessoas são bem distintas e a amizade se torna um jogo saudável de troca de ideias e valores. Bacana.
ha depende do amigo vaaai.. huashusa
tenho amigos excelentes, no meu estilo, claro :D melhoras pelo seu pé. ;* tchau.
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